domingo, 28 de maio de 2017

Muralhas de Monção, eleito melhor vinho branco português no IWC 2017

O vinho Muralhas de Monção 2016, da Adega Cooperativa de Monção, foi considerado o melhor vinho branco português, de entre os vinhos nacionais a concurso, pelo International Wine Challenge 2017, um dos maiores, mais antigos e prestigiados concursos de vinhos mundiais. 

Após ter sido distinguido com medalha de ouro naquele concurso internacional, que decorreu em Londres, o Muralhas de Monção 2016 foi distinguido com o prémio Trophy um galardão atribuído apenas aos vinhos destacados com ouro, de entre aqueles com maior pontuação.

A organização do concurso é conhecida por ter o mais meticuloso processo de avaliação, dividido em duas fases, em que qualquer vinho medalhado é provado em três ocasiões diferentes por, pelo menos, 10 provadores diferentes.

Um vinho com consistência ano após ano e que demonstra o potencial da sub-região de Monção e Melgaço, em produzir brancos com qualidade e excelente RQP.

Sérgio Lopes

sábado, 27 de maio de 2017

BLOG by TIAGO CABAÇO bivarietal '13, foi considerado o "Best in Show-Best Red Blend"

O vinho BLOG by TIAGO CABAÇO bivarietal ‘13, do produtor Tiago Cabaço, foi considerado “Best in Show - Best Red Blend” nos Decanter World Wine Awards. 

Esta é a primeira vez que um vinho português recebe tamanha distinção, trazendo para casa uma das exclusivas 34 medalhas de platina e ainda o título de “Best in Show - Best Red Blend” (melhor no concurso na categoria de vinhos tintos de lote/blend). 

Para chegar a este resultado, o júri, composto por mais de 200 especialistas do setor de todo o mundo, seguiu uma exigente prova que passou por três fases. Na primeira, foram provadas cerca de 17.200 referências às quais foram atribuídas medalhas de bronze, prata ou ouro. Seguiu-se uma nova prova, apenas com os vinhos medalhados com ouro, para atribuir as medalhas de platina. Por fim, foi destacado o melhor entre os melhores em cada categoria, acrescentando à medalha de platina o título de melhor no concurso.

O BLOG by TIAGO CABAÇO bivarietal ’13 é um vinho produzido à base de Alicante Bouschet e Syrah,  partir das uvas das melhores parcelas. Simultaneamente vigoroso e subtil, este vinho destaca-se pela frescura e exuberância da fruta. Um clássico, que reclama o estatuto de topo de gama do produtor, com pouco mais de 9 mil garrafas produzidas.

Parabéns ao Tiago Cabaço, que tive o prazer de visitar muito recentemente!

Sérgio Lopes

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical Meandro

O Alírio, um grande enófilo, proporcionou no dia 13 de maio, uma vertical completa de Meandro. Penso ter sido uma prova inédita, pois de Quinta de Vale Meão, já tinha ouvido falar, mas do seu irmão, nunca.


A Prova, como muitas vezes acontece com as verticais, não foi cega, mas decorreu aos ziguezagues, pois começou com o 2007, seguiu-se o 1999, 2008, 2000, 2009 e assim sucessivamente. Quanto ao resultado, penso ter sido a opinião geral de que os vinhos mais velhos foram os melhores. Dentro destes, aí já as opiniões se dividiram, entre o 2000, com potência, classe e pronto a beber, o 2001 com mais potência e mais madeira, e o 2002 (ano maldito), ainda com mais potência. 


Diria que estes (2001 e 2002) bem como o 2011, vão ficar melhores daqui por uns 5 anos. Dos mais novos, além do 2011, merece um especial destaque o 2010, frutado e com tal classe, que vários dos presentes pensaram tratar-se de um Quinta de Vale Meão. Eu particularmente também gostei do 2014, com fruta e num perfil fresco. Ainda se provou o Quinta do Vale Meão 2010, curiosamente achei que fazia pouca diferença para o Meandro 2010, e o Vintage 2003.


Um dos convivas era a Luisa Olazabal, simpática e discreta, a apreciar o entusiasmo geral. Claro que aproveitou no final para reforçar que os vinhos do Douro também podem envelhecer bem, o que foi óbvio para todos. Uma palavra especial para a equipa do Garfo e Rolha, em Leça da Palmeira que nos serviram um grande almoço, que acompanhou muito bem os vinhos servidos.

Duarte Silva (Wine Lover)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Em Prova: Adega de Vila Real Colheita Branco 2015


Mais uma interessante opção, dada a sua versatilidade quer para uma mesa a acompanhar pratos de confecção mais simples e ligeiros, quer como aperitivo... e porque não companheiro de uma conversa!?

Vinho bem feito, sem excessos, sem cosméticas... equilibrado e afável.

Sendo um vinho simples, agrada por isso... e permite que se beba mais um copo sem nos castigar!

Castas: Viosinho, Malvasia Fina e Fernão Pires.
12.5° álcool. Preço < 3€




Jorge Neves (Wine Lover)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Vinopedia: Produção de Vinho, parte III - Etapas de Vinificação, Processo Fermentativo e Pós Fermentativo

FERMENTATIVOS
- Vinho branco:
Como já referi, a fermentação dá-se sem sólidos, neste caso ocorre a fermentação alcoólica. 
- Vinho tinto: 
Neste caso é a colheita inteira que fermenta, podendo ser totalmente ou parcialmente desengaçada, neste caso ocorre a fermentação alcoólica e malolática.

*fermentação alcoólica - transformação dos açúcares em álcool etílico por meio de leveduras. 
*fermentação malolática - fermentação que se dá após a fermentação alcoólica, onde há transformação de compostos que vão amaciar o vinho e diminuir a acidez. Esta fermentação pode ocorrer durante a fermentação alcoólica. Caso aconteça após o engarrafamento vai tornar o vinho desagradável.

A fermentação alcoólica pode ser controlada, controlando alguns factores como a temperatura, oxigénio, azoto, dióxido de carbono, densidade, álcool, etc.

-temperatura - se for baixa pode impedir o início da fermentação ou provocar a sua paragem e pode diminuir as qualidades organoléticas do vinho e aumento da acidez. Se for alta há o risco da fermentação parar, alterações na cor do vinho, na riqueza e finura do aroma e aparecimento de gosto amargo. A temperatura óptima no vinho tinto é 28-30ºC e no vinho branco de 18-20ºC.
-o álcool vai funcionar como antisséptico
-o dióxido de carbono vai dificultar o trabalho das leveduras
-a acidez (pH) varia consoante a flora microbiana usada
-o oxigénio impulsiona a fermentação
-o azoto ajuda a aumentar a quantidade de oxigénio presente
-a levedação consiste em adicionar leveduras seleccionadas para aumentar a fermentação

PÓS-FERMENTATIVOS

- Estabilização e Clarificação:
Serve para dar ao vinho um tom translucido. O processo de clarificação pode ser natural, por trasfega e atestos, ou provocada, por colagem e filtragem.

*trasfega - passar de um vasilhame para outro
*atesto - ir atestando (enchendo) os recipientes com vinho já clarificado para manter o nível à medida que este vai evaporando.
*colagem - é adicionado um produto que ajuda a clarificar, antigamente usava-se clara de ovo, hoje em dia pode-se usar gelatina, caseína, argila, etc

- Filtração:
O vinho passa em filtros e poros cada vez mais pequenos de modo que as partículas fiquem retidas nos filtros - filtração por crivagem. As impuresas são adsorvidas numa massa filtrante - filtração por adsorção. *adsorção é diferente de absorção, A grande diferença entre os dois processos é que na absorção a substância absorvida é embebida pela substância absorvente, o maior exemplo disso é uma esponja, que absorve a água. Já na adsorção, a substância fica apenas retida na superfície adsorvente, sem ser incorporada ao volume da outra.

- Envelhecimento: 
Realizado em pipas de madeira ou cubas de inox em contacto com raspas de madeira, para posterior engarrafamento, este processo pode durar anos, ao que vulgarmente chamamos vinho maduro.

- Engarrafamento: Quando o vinho está pronto segue-se o engarrafamento para venda ao público. Esta etapa pode ser realizada antes do envelhecimento, quando é para venda ao publico num espaço de tempo curto, normalmente com vinhos recomendados para consumo de um ano para o outro.


Fernando Sousa (www.Global-Satisfaction.com)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Vinopedia: Produção de Vinho, parte II - Etapas de Vinificação, Processo Pré-fermentativo

Quanto às várias etapas do processo de vinificação, todos sabem que inicialmente tem que se apanhar as uvas e seguidamente esmaga-las, independentemente de se tratar de vinho branco ou tinto, por isso embora o processo do vinho tinto seja diferente do vinho branco, existem várias fases que são semelhantes. Assim quando eu falar de algo que apenas se aplica a tinto ou branco irei dizer, quando não referir nada é porque é um processo comum aos dois.

Podemos dividir a vinificação em 3 fases: processos pré-fermentativos; processos fermentativos; processos pós-fermentativos. 

PRÉ-FERMENTATIVOS

- Colheita ou vindima é uma etapa muito importante, pois a qualidade das uvas vai ser determinante
na qualidade do vinho. Por isso é crucial determinar o momento exacto da colheita, normalmente é em meados de Setembro, mas como sabemos as condições meteorológicas durante o ano (se choveu muito, se foi muito calor, se foi seca, se foi muito frio) podem alterar o desenvolvimento das uvas, por isso nos dias de hoje são colhidas amostras que serão analisadas, quanto ao teor de açúcar para se determinar se estão prontas a ser colhidas. Já sabemos que o açúcar vai ser muito importante na fermentação alcoólica.

- Transporte e descarga:
Após a colheita o vinho deve ser transportado com a maior brevidade possível. Tendo o cuidado da uva chegar inteira à adega, para isso normalmente evita-se usar recipientes com mais de 0,50m de altura (e mais de 25Kg). O aquecimento pelo sol também deverá ser evitado. Na descarga as uvas poderão passar num tapete onde é efectuado um controlo que retira os cachos ou uvas podres ou verdes. 

- Desengace:
Consiste na separação do engaço dos bagos. Tem como vantagem a diminuição do pH, diminuição de aromas e sabores amargos, diminuição do volume da massa esmagada. No entanto, tem a desvantagem de dificultar a fermentação e aumenta o risco de oxidações. 

- Esmagamento: 
No esmagamento ocorre o rompimento da película, que permite a dispersão de leveduras e enzimas e a libertação e arejamento do mosto. Este esmagamento tradicionalmente é feito por pisa-a-pé, mas também pode ser feito por esmagadores de rolos. No entanto há quem defenda que nenhuma máquina substitui o pisa-a-pé. 

- Sulfitagem (Sulfitos):
É adicionado ao mosto para melhorar o processo de vinificação e a conservação do vinho. Estabiliza os pigmentos e evita o aparecimento de bactérias e leveduras sem interesse enológico.

- Prensagem:
Na prensagem é feita a separação das partes sólidas da líquida. No vinho branco faz-se logo após o esmagamento, no vinho tinto faz-se apenas após a fermentação alcoólica. (ou seja, o vinho branco fermenta só com a parte liquida, o tinto fermenta com as cascas das uvas na mistura...até porque se repararem na maioria das uvas a casca é que dá a cor tinta o interior da uva é branco) 

- Defecação
É um repouso que se faz durante 24 a 48 horas para a separação de impurezas do vinho por acção da gravidade.


Fernando Sousa (www.Global-Satisfaction.com)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vinopedia: Produção de Vinho, parte I - Processos de Vinifcação

A Curtimenta está na moda, mas se pensa que “Cortimenta” é exclusivo de alguém ou de algum vinho em particular, desengane-se… talvez essa pessoa esteja simplesmente a usar o nome que dá origem a um dos processos de fermentação de qualquer vinho, senão vejamos: Depois de conhecermos as denominações dos vinhos (DOP; DOC; IG; IGP; Vinhos Regionais), e as suas regiões geográficas (Vinho Verde; Douro; Bairrada; Dão; Alentejo; entre outras…- total 13-) resta-nos agora saber como são produzidos.

Uvas são transformadas em vinho há milhares de anos através do processo natural denominado vinificação. A vinificação, de modo geral, requer pouca intervenção humana, entretanto, produtores em todo o mundo orientam a produção do vinho através de variadas técnicas que são aplicadas nas diferentes etapas do processo. O processo de produção do vinho pode ter mais ou menos etapas. Tudo dependerá do estilo do vinho que se deseja obter e, também, da filosofia de cada produtor.

Basicamente, existem 3 processos de vinificação: curtimenta; meia curtimenta; bica aberta.
- Curtimenta: quando as partes sólidas acompanham o mosto durante a fermentação, isto proporciona vinhos mais corados e mais encorpados;
- Meia curtimenta: quando as partes sólidas apenas acompanham parte da fermentação do mosto, ou então apenas 50 a 60% das partes sólidas são retiradas do mosto;
- Bica aberta: quando ocorre separação das partes sólidas do mosto antes de se iniciar a fermentação. Pode ou não haver depuração, ou seja, pode-se retardar a fermentação 24 a 48 horas para que as impurezas se depositem e o vinho fique livre de detritos.


Fernando Sousa (www.Global-Satisfaction.com)