quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Em Prova: Muros de Melgaço Alvarinho 2016


Anselmo Mendes foi um pioneiro - o primeiro a experimentar fermentação e estágio em madeira da casta Alvarinho. Hoje em dia "nem é tema". À época era "ensaio".

E o Muros de Melgaço é o seu vinho com mais vindimas, por isso, o mais "afinado" segundo o enólogo / produtor. Sou fã de uma forma geral do seu trabalho, destacando do seu portfolio vinhos como Expressões, Parcela Única ou o Tempo, entre outros, em diversas regiões onde faz vingo. Sempre com uma qualidade inegável.

O Muros de Melgaço é icónico, com a tão característica garrafa troncocónica, que nos dificulta a colocação no frigorífico ou de uma manga refrigeradora :-). Mas pouco importa, pois o liquido que está lá dentro é sempre de uma consistência firme. E grande longevidade.

Esta edição de 2016 mostra-se cheia de mineralidade e elegância, com a madeira muito bem integrada e notas de tangerina e toranja, mas tudo com enorme profundidade, quer aromatica, quer na boca. Depois tem estrutura, mas uma lado delicado e um final bem longo, sempre com pendor mineral. Notável equilíbrio de conjunto, embora seguramente irá crescer em garrafa, como é hábito. Daqui por 4 a 5 anos se aguentarmos guardar até lá, veremos a sua (brilhante) evolução. Provavelmente uma das melhores edições deste vinho.

Sérgio Lopes

terça-feira, 19 de setembro de 2017

25 anos de João Portugal Ramos, no Palácio da Cidadela de Cascais

João Portugal Ramos, nome incontornável da enologia e produção vinicola em Portugal celebrou 25 anos de existência. Num evento onde esteve presente o Ministro da Economia, familiares, equipa, entidades do setor, empresários e jornalistas nacionais e estrangeiros, foi celebrado o percurso do enólogo / produtor que revolucionou o Alentejo e fez parte da grande revolução operada no setor nos últimos 30 anos. E que hoje está entre o que de melhor se produz em Portugal para o mundo. E isso foi também uma mensagem clara do produtor: «Fomos e somos movidos por um sonho: o reconhecimento do vinho português no mundo. É uma satisfação ver o caminho feito por Portugal, estamos todos de parabéns»

Tudo se inicia em 1992, ano em que João Portugal Ramos realizou pela primeira vez a sua própria vindima, em Estremoz. Para além do Alentejo, hoje já faz vinho em cinco regiões portuguesas - Douro, Vinho Verde, Beiras e Tejo, de um total de cerca de 600 hectares, produzindo 6 milhões de litros de vinho por ano, exportando 60% da produção. Produção de qualidade com o objetivo de ser uma referência dos vinhos portugueses a nível mundial.

Realizado nas salas do Palácio da Cidadela de Cascais, o evento serviu para dar a conhecer a história do grupo e as principais metas atingidas até à data, com um jantar acompanhado da prova de vinhos emblemáticos das regiões onde o Grupo está presente: Para entrada, foi servido um Alvarinho Espumante Reserva Bruto Natural 2014. O primeiro prato da noite foi, depois, harmonizado com um Vila Santa Reserva Branco 2016, seguindo-se um Marquês de Borba Reserva Tinto 2011. Para a sobremesa ficou reservado um Duorum Vintage Port 2007.

Foi uma noite bem agrad+avel, na companhia, claro está de bons vinhos! Parabéns J.Portugal ramos. Venham mais 25 anos!

Sérgio Lopes

domingo, 17 de setembro de 2017

Os brancos dos anos 90 das Caves São João

As Caves São João estão recheadas de preciosidades. Vinhos antigos guardados nas "catacumbas" e cuja (boa) guarda e o facto de serem provenientes da região da Bairrada, fazem com que bebidos agora, demonstrem todo o potencial da região. Sim, vinhos brancos que desafiam a passagem do tempo e que mais de 20 anos depois se mostram em grande, grande forma, dando enorme prazer. 

Tive oportunidade de provar os Poço do Lobo Branco dos anos 91, 93 e 95 e estão fantásticos. Feitos 100% de arinto a provar que esta casta apresenta uma longevidade invejável. Mesmo as referências Frei João, um blend de várias uvas brancas, mostram uma forma invejável. São vinhos que ainda apresentam à data de hoje uma acidez / frescura desconcertantes. 

A imagem da esquerda fala por si: A cor do vinho demonstra a sua jovialidade - não parece estarmos na presença de um vinho com mais de 20 anos! E um vinho branco. Estamos pois, num país formidável, capaz de nos proporcionar experiências à mesa, incomparáveis. E mais, estes vinhos encontram-se à venda por apenas 10€. Outstanding.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Bairrada Vinhos e Sabores 2017 - A nata dos produtores, muito por provar

Decorreu no passado fim-de-semana mais uma edição do Bairrada Vinhos e Sabores que junta no velódromo de Sangalhos (Anadia) a "nata" dos produtores da região da Bairrada, num encontro de proximidade entre as pessoas do vinho e os consumidores. 

Apenas consegui comparecer num dos dias e em jeito de balanço aqui ficam algumas considerações: Pareceu-me que o evento teve menos afluência de público que em outros anos (de novo apenas fui sábado) e fiquei um pouco desapontado por apesar de a Bairrada estar representada pelo que de melhor se produz na região, muitos dos produtores presentes não tiveram os seus melhores vinhos disponíveis para prova. Ora, se se pretende dinamizar a região e que o evento seja o veículo de promoção da mesma, deveriam estar presentes e à prova os melhores vinhos. E isso não aconteceu... 

Se o problema é disponibilizar os melhores vinhos num evento de carácter gratuito, então faça-se (por exemplo) um sistema de senhas que permita evitar a presença daqueles que procuram "copo cheio". Os que rela mente se deslocam para provar o melhor de cada produtor - provar, não beber- no qual eu me incluo, ficam um pouco desapontados. 

Ah, para mim o melhor vinho (provado) do certame foi o Sidónio de Sousa Garrafeira Tinto 2011, que ainda não se encontra à venda, mas que o produtor Paulo Sousa gentilmente trouxe para o evento. E ainda bem que o fez! È um garrafeira clássico da Bairrada, onde se conjuga potência com elegância, num final interminável. Algo que apenas se consegue em anos de excelência!

Sérgio Lopes


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Um copo com... Gabriel Alves

Gabriel Alves, homem de uma voz imediatamente reconhecível e que nos remonta para aqueles momentos nostálgicos em que um comentário a um jogo de futebol na televisão era emoção que acompanhava a Ação - quem não se recorda desses grandes momentos da RTP? O que muita gente desconhece é que Gabriel é também um grande wine lover, com quem tenho o privilégio de partilhar esses momentos à volta de um copo. Jornalista de profissão, wine lover por paixão, natural de Moçambique, vive em Lisboa.

Viva Gabriel, como é que nasceu a sua paixão pelo vinho? Deixei de fumar e abracei os aromas e sabores vinicos. Comecei pala Adega Cooperativa de Mesão-Frio. Em 1980 tinha um Branco Notável e um Clarete Elegante. Levado pela mão dum amigo iniciei me por aí. O dinheiro que gastava em três maços de tabaco por dia passou a ser investido na nova e em novas descobertas. Feliz por tão bons aromas e sabores ao longo de tantos anos de então para cá. E a construção de novos e óptimos amigos à volta de néctares inesquecíveis

Qual o melhor jogo de futebol que assistiu? E o melhor jogador que viu jogar? Difícil referenciar... Fiz de tudo um pouco em vários e diversos países e continentes. Só não fiz a Copa América. As Finais da Taça de Inglaterra foram especiais. Fiz meia dúzia qual delas a mais épica. A Utopia do Futebol Renasce Ali. Quanto a Jogador vi muitos e bons de Pelé para cá. De Pele para lá também em celulóide. Pelé é uma Referência Eterna. Trouxe algo de novo transversal no Tempo. Eusébio foi e será a figura maior dum Tempo em que se procurava termos de comparação em relação a Pelé. Artistas Distintos e também porque ambos falavam Português foram marcantes no seu tempo em estilos diversos. Marcantes são na História do Futebol que se renova a cada instante para gáudio dos seus fans. Johan Cruijff a Inteligência sobre a Relva. A era moderna do futebol assenta em grande parte nas suas ideias quer enquanto futebolista, quer como treinador e, enquanto pensador do futebol. Conheci os três com os três contactei com os três privei. Maradona - um caso sério do futebol mundial. Saíamos dos Anos Setenta... Cesar Menotti, no Rio de Janeiro, em 1980 numa entrevista excelente que me concedeu, travou nele o perfil do Jogador Mago do Futuro. Não se enganou numa só vírgula! Tem na História um Cadeirão de Ouro. Messi. Ronaldo. Enormes - os maiores do Tempo que corre. Símbolos dum Futebol Espectáculo Vertiginoso. Marcas dum Tempo Fronteira do Futuro. Referências: Di Stefano Anos 60/70, Luís Suarez 60/70, Ronaldinho Gaucho, Ronaldo o Fenómeno Luís Figo, Ibraimovic, Del Piero, Van Basten, Rud Gullit, Rykard marcam também o futebol dos tempos modernos. Destaco mais um: Zinedine Zidane Um Deus da Elegância a Jogar Futebol!

O que gosta de fazer nos tempos livres? Música, Ler, Fotografar ,Viajar, Conhecer, Ver Conversar Descobrir.

Sente que é um privilégio viver em Portugal e ter acesso a tanto vinho de qualidade? Qual a sua região preferida? Sinto-me feliz por conhecer alguns dos jovens de 2000 que entraram a trabalhar no vinho num país bonito com condições naturais raras para a sua produção. Feliz por poder olhar a grandeza desse trabalho sequenciado por outros e ter reconhecimento mundial. Feliz por poder ter acesso a tão excelentes Néctares com a informação pedagógica de quem os desenha e de quem os produz. A Minha Região Preferida é um Vinho de Qualidade. 

Gosta de cozinhar? Qual o seu prato preferido? Não cozinho. Gosto de boa comida - Portuguesa, Espanhola. Indiana, Africana. Gosto de provar o resto do Mundo... Prato preferido? Porque é raro encontra lo óptimo, e apenas óptimo é delicioso: Um Polau de Cabrito.

A sua voz é inconfundível. E está na memória de muitos de nós. O que recorda com mais nostalgia desses tempos? Nostálgico? Não. Há Memórias e História mas acima de Tudo Presente e Futuro.

Se tivesse oportunidade de jantar com uma figura do mundo do futebol, qual seria? Que vinho lhe serviria? Pepe Guardiola. A sua inteligência e postura são base dum bom encontro com um copo de vinho de permeio. Até nisso conversaríamos. Certamente surpreender me ia.. Depois, seria eu a surpreende lo. Talvez com um vinho PVP de uns 8€... :-)

O que o faz realmente tirar do sério? A Estupidez

Momento: refira uma música preferida; local de eleição e companhia; e claro vinho a condizer. Sabe, tenho andado a escutar o Elvis. Um dos meus contemporâneos e que partiu tão cedo. Julgava Conhece lo muito bem até porque como homem da rádio que fui anos e anos com paixão o estudei e ouvi. Afinal não o conhecia. Comecei a conhecê-lo melhor. My Way que é um hino em The Voice Frank Sinatra, nele agora descubro-o no seu caminho que o matou tão Jovem. E gosto de o ouvir. Mas um Jazz lounge é sempre companhia para um encontro com uma mulher bonita e inteligente entre um copo de vinho namoradeiro...
Qual o melhor vinho que alguma vez provou? Ainda não provei...

Sérgio Lopes

sábado, 9 de setembro de 2017

New Kids in Town

Estamos na época das vindimas, onde tudo se decide. Este ano iniciadas bem mais cedo do que o costume. Onde se preparam as colheitas habituais e as novidades. E é de novidades que quero falar, de produtores jovens e irreverentes que em 2017 se evidenciaram. Têm em comum o facto de serem produções pequenas, produzirem apenas um vinho e eu ter sido comprador assíduo (e gostar muito de cada um deles). São eles Hugo Mendes - HM Lisboa, Cosntantino Ramos - Zafirah e João Camizão - Sem Igual.


Hugo Mendes, enólogo da Quinta da Murta, com o seu primeiro vinho. Lisboa 2016 by Hugo Mendes, disponibilizado numa primeira fase, em venda direta antecipada pela net, a um preço mais baixo, de um total de 2300 garrafas numeradas. Trata-se da sua interpretação da região de Lisboa, um vinho branco com Arinto e Fernão Pires em partes iguais. De registo leve e fresco, muito fino, com uma acidez presente mas delicada a aportar uma certa finesse e complexidade ao vinho. Pouco álcool, 11,5º, o que é óptimo e um corpo médio a segurar todo o conjunto, bebe-se sem dar conta! Distinto, com um toque salino. Sempre a crescer em garrafa.


Zafirah 2016, o primeiro vinho de Constantino Ramos (enólogo de Anselmo Mendes). O propósito deste vinho é o de remontar às antigas tradições dos vinhos tintos produzidos na região de Monção. Sim, é um "verde tinto", produzido das castas típicas tintas da região com predominância de Alvarelhão, E o resultado é um vinho de cor violeta turva, pois não foi sujeito a qualquer filtração, para preservar todo o seu caracter. O aroma é fresco e frutado, mas de uma fruta vermelha bem fresca e pura (framboesa, morango). É, no entanto, na boca que deslumbra pela elegância e incrivel acidez que lhe aporta uma grande personalidade e versatilidade gastronómica. Termina longo e bem crocante a pedir novo copo. O facto de apresentar pouco mais do que 10º de alcool torna-o ainda mais viciante. (100 garrafas).


O projecto de João Camizão, 100 Igual (ou Sem Igual) está inserido no grupo Vinho Verde Young Projects. São 4 Jovens produtores que juntam esforços e pretendem demonstrar que a região dos vinhos verdes é uma região, sobretudo, de grandes brancos. O 100 Igual 2015 é feito de Azal e Arinto de Amarante e deslumbrou-me ao primeiro contacto. A linha condutora ou perfil é o de pouca exuberância, bastante acidez, e muito secos, com o corpo do Arinto e o "nervo" do Azal. Neste momento começa a mostrar-se em todo o seu esplendor, com um nariz contido mas cheio de complexidade, uma boca vibrante, frescura ácida e final bem prolongado. Nada de frutinhas enjoativas. Pelo contrário um branco de classe internacional, com um lado amanteigado que agora começa a aparecer a lembrar a "borgonha". Numa altura em que o 2016 começa a mostrar uma acidez desconcertante que faz prever poder vir a ser (mais)uma brilhante colheita...

E por isso, considero estes os "New Kids In Town" -  projectos diferentes, diferenciadores, com algum risco, mas que resultam em produtos de grande qualidade. Um brinde a eles ao som dos "Eagles"...



Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Da minha Cave: Quinta de Saes Tinto 2002

Continuando no Dão - parece que este fim-de-semana passado foi assim, o que até faz sentido estando a decorrer a Feira de Nelas - resgatei da minha garrafeira este Quinta de Saes 2002

2002, ano considerado "maldito", mas um vinho - não esquecer, proveniente de um produtor altamente conceituado, de produção sólida e consistente e de enorme qualidade ano após ano - Álvaro de Castro.

O vinho: Ainda bastante vivo no copo como se pode verificar pela bonita cor, com fruta, taninos completamente sedosos e claro notas de evolução como seria de esperar. Este vinho é um(A) prova de que o Dão, mesmo em anos maus, quando proveniente de produtores de referência continua a produzir vinhos de qualidade. 

E não se tratando de um topo de gama, ainda mais impressiona a sua vivacidade 15 anos depois. 

Sérgio Lopes