domingo, 23 de julho de 2017

Moscatéis portugueses, abaixo de 15€, brilham em França....!


Este post vem a propósito do concurso "Muscats du Monde" que decorre em França todos os anos e no qual Portugal conseguiu 4 moscatéis no TOP 10 do certame! O primeiro lugar é inclusivé nosso com o Venâncio Costa Lima Moscatel Roxo 2013. Os restantes três são o Moscatel Roxo 5 anos da Bacalhôa e o Moscatel Roxo Pioneiro 2013, também da Venâncio da Costa Lima  o Adega de Favaios Moscatel 1980 que receberam a Medalha de Ouro e colocaram-se igualmente entre as 10 melhores classificações no concurso.

O concurso, que decorreu nos dias 5 e 6 de Julho, na cidade de Frontignan-la-Peyrade - França, teve em prova 214 moscatéis de 25 países. O júri internacional, composto por mais de 55 especialistas, atribuiu 71 medalhas, 38 de ouro e 33 de prata. Portugal é, a seguir à França, o país com mais medalhas, num total de 13 - 7 ouros e 6 pratas.

Gratificante e de louvar sem dúvida, que vinhos generosos abaixo de 15€ tenham sido tão bem recebidos. Só prova que o Moscatel Roxo, de Setúbal ou o do Douro produzem vinhos extraordinários. Mas será esse o target do concurso - vinhos extraordinários? Provavelmente não.

A questão surge pois não retirando o excelente mérito dos vinhos premiados, saltam-me à vista desde logo 2 ou 3 referências de produtores como José Maria da Fonseca ou Horácio Simões, de dimensão estratosfera, mas que provavelmente não fazem sentido neste concurso, face aos resultados. O próprio Bacalhoa 30 anos ficou abaixo dos 4 moscateis portugueses do top 10... Talvez os produtores nos possam esclarecer um pouco mais.

Sérgio Lopes

sábado, 22 de julho de 2017

Em Prova: Pouca Roupa Rosé 2016


15/20. Pouca Roupa é o projecto mais recente de João Portugal Ramos (vai na sua 2ª edição), desenvolvido com o seu filho, o enólogo João Maria, destinado a um público jovem, "à geração que vive online e constantemente ligados, que cria e vive experiências”. O nome da marca é também o nome do Monte Alentejano, onde está implantada a vinha que dá origem a este vinho, sendo ainda um “apelido comum no Alentejo”.

O Pouca Roupa Rosé de 2016, elaborado a partir das castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, é isso mesmo - um vinho despreocupado e descontraído, perfeito para o verão, com as notas típicas de um rosé, ou seja, fruta vermelha fresca, um lado vegetal e alguma secura a conferir um pouco mais de pendor gastronómico. Fresco, leve, directo, pronto para beber à piscina ou acompanhar algumas entradas. O Rosé, e já agora, o tinto e o branco - Pouca Roupa, encontram-se facilmente na grande distribuição a um PVP de 3,99€.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Em Prova: Quinta das Pereirinhas Superior 2016

16,5/20. Numa altura em que decorre até domingo o Vinho Verde Wine Fest, na Alfândega do Porto, nada melhor do que apresentar um exemplar de Alvarinho da região, mais propriamente de Monção. tomei contacto com este projecto na Feira do Alvarinho de Melgaço, e achei que para além dos 3 "grandes" (Soalheiro, Regueiro e Anselmo), foi um dos que se destacou, na minha opinião. 

Talvez a referência mais conhecida deste produtor seja a Foral de Monção, mas foi o Quinta das Pereirinhas Superior que considerei mais à minha medida.

Um Alvarinho como eu gosto, mineral, muito fresco, com estrutura, fiel à casta nas suas notas citrinas e com uma acidez refrescante e vibrante a conferir um grande final.

O alvarinho é de facto uma casta que produz brancos na sub-região de origem de elevada qualidade!

Sérgio Lopes

terça-feira, 18 de julho de 2017

Vinho Verde Wine Fest, na Alfândega do Porto

A quarta edição do Vinho Verde Wine Fest, realiza-se entre 20 e 23 de Julho, mais uma vez na Alfândega do Porto. Organizado pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o festival terá mais de 300 vinhos em prova de 33 produtores, para além de muita animação, com provas comentadas, workshops, showcooking, cursos de vinho e ainda um dia dirigido às famílias, no dia 22, sábado.

Estão igualmente previstas atividades para as crianças, que, segundo a CVRVV, "permitem primeiras experiências com a gastronomia e descoberta de sabores".O festival terá lugar no parque nascente da Alfândega, com o rio Douro como vizinho próximo, e este ano ocupara uma área maior do que a do ano passado, com sacrifício do espaço que era reservado ao estacionamento automóvel.

A entrada no festival custará dez euros, com direito a um copooito senhas de provas e a uma prova comentada.

Mais informações, incluindo o programa do festival em http://www.vinhoverdewinefest.com/pt

Sérgio Lopes

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Regueiro

A Quinta do Regueiro situa-se em Melgaço. É constituída por 6ha de vinha e distingue-se dos demais produtores da região pelos seguintes factores: Vinhas em altitude, solos graníticos e intervenção minimalista nos vinhos que produz, respeitando ao máximo a casta Alvarinho, e o terroir da sug- região de Melgaço.

A história inicia-se em 1988 com a plantação da primeira vinha de Alvarinho, mas é só em 1999 que nasce o primeiro vinho. Desde então tem sido um caminho de sucesso que coloca a Quinta do Regueiro, na minha opinião, no top 3 dos produtores de grandes brancos da região.

Este é um projecto familiar, no qual o homem do leme é Paulo Cerdeira Rodrigues, homem de uma humildade e generosidade tão graciosas que acrescem ainda mais valor a este projecto. Depois, é claro, os vinhos acabam por reflectir um pouco da personalidade de quem os produz e nesse sentido, Regueiro produz vinhos autênticos, sem maquilhagem, que privilegiam o que a terra dá e que no final dão muito prazer à mesa, para além de garantirem uma longevidade muito grande.


"Os vinhos alvarinho produzidos pela Quinta do Regueiro distinguem-se pela sua originalidade e tipicidade, fruto de um “terroir” que lhes confere propriedades únicas, em termos de mineralidade. Distinguem-se também pelos elevados níveis de qualidade obtidos consistentemente, ano após ano, graças ao sentimento e a dedicação do produtor às vinhas e ao vinho"  - Palavras retiradas da página do facebook do produtor, mas que exprimem tão bem o projecto.

A Quinta do Regueiro produz vários vinhos sobre a marca Regueiro, para além de alguns raridades e colaborações que vão surgindo. Aqui fica a gama principal comercializada e que é obrigatório conhecer e provar:

Regueiro Alvarinho / Trajadura


15,5/20. Fresco, equilibrado, frutado, mas nada exuberante. Bem conseguido e acima dos seus pares no que concerne aos blend estilo "muralhas" ou "Torre de Menagem", apresentando um pouco mais de corpo e profundidade. PVP: 4,5€

Espumante Regueiro

16/20. 100% produzido de alvarinho, pois claro está. Um espumante Bruto, bem equilibrado, com bolha fina, mousse agradável, tudo bem composto. Claramente acima da média, numa região, que na minha opinião ainda não apresentou um "mega" espumante. PVP: 13€

Regueiro Reserva


16,5/20. Um Alvarinho muito mineral e fresco, com uma excelente acidez. Muito puro, com uma boa estrutura, fiel à casta, sem notas tropicais, muito focado no lado citrino. Um belo branco, ano após ano. Bebe-se com enorme prazer. PVP: 9,90€

Regueiro Primitivo

17,5/20. Feito a partir das vinhas mais antigas da quinta. Elegante e de aroma contido, mas tudo num registo fino e de grande profundidade. Citrinos frescos (tangerina, toranja), mineralidade, tanto no nariz como na boca, a conferir um corpo envolvente e uma acidez limonada que lhe dá um "nervo" impressionante, bem como um final longo. Estou completamente rendido a este vinho, sobretudo a colheita de 2015, que está aí para durar. PVP: 14,5€

Regueiro Barricas

17,5/20. Se o Regueiro Primitivo feito das uvas mais antigas da propriedade é fino e cheio de nervo, o "Barricas" é ainda mais mais preciso e delicado. São apenas 2000 garrafas de um branco que amadurece em barrica, como o próprio nome o sugere. A madeira aparece sempre superiormente integrada, conferindo-lhe apenas a complexidade e arredondamento extra, que o elevam a outro patamar de "finesse". Um exemplo claro de como utilizar a madeira de forma a potenciar a uva Alvarinho, sem marcar em demasia. Um grande vinho juntamente com o Primitivo a mostrar 2 formas de apresentar a casta Alvarinho, produzindo 2 brancos superiores. PVP: 17,5€.

Sérgio Lopes


sábado, 15 de julho de 2017

Em Prova: Tons de Duorum Branco 2016


15,5/20. Nova colheita do branco Tons de Duorum, acabadinha de chegar ao mercado e que sigo ano a após ano, desde 2010. E já lá vão 6 anos. 6 anos de consistência que é a palavra que define o futuro e o presente de um projecto. E é o que encontramos em 2016, um vinho que confirma o seu perfil frutado e fresco, à volta dos citrinos, algum tropical e floral, sempre com uma acidez refrescante e uma complexidade média, a aportar corpo suficiente para lhe conferir versatilidade no Verão que se avizinha. Uma compra segura. PVP: 3,99€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Em Prova: Quinta de SanJoanne Terroir Mineral 2013


16,5/20. Produzido das castas Avesso e Loureiro, em Amarante, trata-se de um vinho que faz jus à designação de "mineral" - com alguma austeridade e um traço acentuado a "pedra molhada" (bem sei que o descritivo "mineral" não é consensual - mas é mesmo o que parece!). Sendo de 2013, neste momento sente-se também alguma fruta branca e um travo limonado com alguma intensidade, provavelmente com a casta Avesso a começar tomar conta do conjunto e que lhe confere uma grande acidez / frescura. Conjunto esse bem afinado, com apenas 11º de alccol e que dá muito prazer a beber já (com 4 anos) mas que irá crescer em garrafa. A rondar os 7€, é na realidade uma excelente compra, sobretudo para quem procura brancos com clara tipicidade e diferenciação. Uma boa porta de entrada para os restantes vinhos que João Pedro Araújo produz na sua Quinta de SanJoanne. PVP: 7€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes