quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Em Prova: Messias Espumante Baga Bairrada Grande Reserva 2012


16,5/20. O projeto Baga@Bairrada vai-se consolidando e começa a ter o reconhecimento merecido além fronteiras, com criticas muito favoráveis aos espumantes 100% produzidos da casta rainha da Bairrada, a Baga, pois claro. Na última edição da revista Wine Advocate, de Robert Parker, o destaque foi para um dos mais recentes a ser lançado, o ‘Messias Baga@Bairrada Grande Reserva Bruto 2012’, com 90 pontos em 100, classificação também alcançada pelo ‘Quinta do Poço do Lobo Baga@Bairrada Bruto Natural 2013’. O ‘Aliança Baga@Bairrada Reserva Bruto 2013’, conseguiu 89 pontos.

Provei recentemente o Messias Baga@Bairrada e de facto é muito bom: Bolha fina e consistente, mousse de qualidade, amparada por boa fruta fresca e ligeiro brioche. Ingredientes perfeitos para um espumante de complexidade superior a um preço imbativel. PVP: 9€

Sérgio Lopes

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Vinho de Hugo Mendes, "Lisboa", em pré-venda

Hugo Mendes, carismático enólogo (Quinta da Murta, Quinta das Carrafouchas, Vale das Areias) acaba de lançar o seu primeiro vinho em nome próprio, Lisboa, cujo lote é composto por Fernão Pires e Arinto, Hugo pretende com este projeto demonstrar a sua interpretação da região de Lisboa, procurando obter um vinho com longevidade, onde o Fernão Pires confira "a paleta aromática mais próxima dos citrinos e mais afastada dos aromas enjoativos que a casta costuma apresentar" e o Arinto, claro está, confira a "estrutura e álcool (o lote ronda os 11-11,5%) sem comprometer frescura".


Pioneiro - Venda en primeur

Hugo Mendes decidiu colocar 800 garrafas do seu vinho em pré-venda direta via web. O objetivo é o de "provar que os consumidores sabem escolher os seus vinhos, sabem apoia-los e que a eliminação de alguns intermediários pode, por vezes trazer benefícios para ambos". Para além de preços especiais (9€ vs. 15€ PVP), quem comprar o vinho nesta modalidade passará automaticamente a pertencer a um grupo (clube do produtor) com regalias fantásticas e alguns produtos exclusivos (vinhos, formações,...). 

Despachem-se pois são apenas 800 garrafas. Toda a informação em como proceder à encomenda, no site http://www.twawine.com/

Sérgio Lopes


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Prémios Especiais Paixão Pelo Vinho

No passado sábado, dia 14 de Janeiro, a revista Paixão Pelo Vinho, reuniu no Casino Figueira, empresas e profissionais dos sectores do vinho, da gastronomia e do turismo, para consagrar os melhores de Portugal, celebrando também o 10º Aniversário desta publicação. A cerimónia contou com a presença e intervenção do senhor Secretário de Estado da Agricultura e da Alimentação, Dr. Luís Medeiros Vieira, que também entregou 47 distinções “Paixão Pelo Vinho Excelência” aos vinhos melhor classificados em prova cega, em 2016 (com 18 ou mais valores). Na cerimónia foram atribuídos os tão aguardados troféus de 20 categorias galardoadas com o “Prémio Especial Paixão Pelo Vinho”.

Os troféus ‘Paixão Pelo Vinho’ foram desenhados por Teresa Vaz, inspirados no mundo dos vinhos, com a utilização de cortiça e aço inoxidável, contemplando em cima um anel giratório que envolve o coração, símbolo da revista, e simboliza a vida, a união e o movimento rumo ao sucesso futuro. Os troféus ‘Paixão Pelo Vinho’ foram produzidos com o apoio da Amorim & Irmãos.



PRÉMIOS ESPECIAIS PAIXÃO PELO VINHO

Adega Cooperativa - Adega de Cantanhede

Arquitetura - Herdade do Freixo

Blogger De Vinhos - Luís Gradíssimo​ - Blog Avinhar

Crítica de Vinhos - Maria João de Almeida

Cozinheiro Geração XXI - José Avillez e Ricardo Costa

Cozinheiro De Mérito - Rui Paula

Enólogo de Vinhos Generosos - João Nicolau de Almeida

Enóloga de Mérito - Sandra Tavares da Silva

Enólogo Geração XXI - António Maçanita

Enólogo de Mérito - Osvaldo Amado

Enoturismo com Dormida - Monverde, Wine Experience Hotel

Escanção - João Chambel

Produtor de Vinhos Espumantes - Caves Transmontanas, Espumantes Vértice

Produtor de Vinhos Generosos - Blandy's, Madeira Wine Company

Produtor Geração XXI - Lua Cheia em Vinhas Velhas

Produtor de Mérito - Aveleda

Região Vitivinícola - Alentejo: Comissão Vitivinícola Regional Alentejana

Viticultura - Real Companhia Velha

Inovação e Desenvolvimento - Amorim & Irmãos

Categoria Especial Prémio ‘Paixão Pelo Vinho’ - Leonor Freitas e António Saramago




Para o ano há mais? Estou seguro que sim, depois de uma cerimónia que foi um verdadeiro sucesso!


Sérgio Lopes


sábado, 14 de janeiro de 2017

Vinhos de Altitude - A Prova Cega

Depois de clarificarmos o conceito sobre vinhos de altitude, chegou a altura de escolher os vinhos e o local para a prova cega. A escolha recaiu sobre o restaurante Toca da Raposa situado em Ervedosa do Douro. Um estabelecimento que, desde 2011, tem vindo a recuperar as antigas receitas de família e da região duriense para as apresentar, com sucesso assinalável, ao público em geral. Já sabemos que as vinhas plantadas a uma altitude mais elevada originam vinhos mais frescos e com uma acidez mais elevada. São, portanto, vinhos que para serem devidamente apreciados e se expressarem ao mais alto nível necessitam de comida. 

Quanto aos vinhos, a escolha foi realizada tendo em conta a hibridez do conceito de altitude enunciado anteriormente. Assim, num primeiro momento, foram escolhidas as regiões que se apresentavam a maior altitude e dentro destas as sub-regiões de cota mais alta. A seleção recaiu sobre: Douro, Beira Interior, Dão e Alentejo. Num segundo momento, escolheram-se apenas os vinhos brancos devido ao aumento notório da qualidade que têm vindo a registar nos últimos anos. Como, infelizmente, não foi possível reunir nenhuma referência do Alentejo e da Beira Interior em tempo útil, a seleção final agrupava onze referências da região do Douro e do Dão. E que grandes vinhos eram! 

O Restaurante Toca da Raposa preparou um jantar com sete pratos regionais aos quais foram emparelhados os vinhos de acordo com as suas caraterísticas e servidos de forma a não se conhecer a identidade dos mesmos, ou seja, em prova cega. O desfecho foi excelente. Como já era esperado, os vinhos em prova combinaram muito bem com a comida. A grande frescura, acidez, estrutura e persistência apresentada pela quase totalidade dos vinhos casou muito bem com a comida apresentada. Um grande jantar!


Quanto aos resultados da prova cega podem ser consultados em baixo:

1. Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013 - Dão
2. D. Graça Viosinho 2015 - Douro
3. D. Graça Garrafeira 2011 - Douro
4. Cedro do Noval 2015 - Douro
5. Xisto Cru 2014 - Douro
6. Casa da Passarela Fugitivo Garrafeira 2013 - Dão
7. Mapa Vinha dos Pais 2013 Douro
8. Quinta do Crasto 2014 Douro
9. Muxagat Xistos Altos 2014 Douro
10. Quinta dos Roques Encruzado 2014 - Dão
11. Quinta da Pellada Primus 2014 – Dão

Destaques:

Depois de contabilizadas todas as notas da folha de prova, os três vinhos mais pontuados foram o Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013, o D. Graça Viosinho 2015 e o D. Graça Garrafeira 2011.

O Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013 apresentou-se em grande forma, cheio de mineralidade, fruta de excelente qualidade, citrino, tostados, cheio de acidez e um final muito longo. Um vinho cheio de carácter expressando bem o porquê da casta Encruado se apresentar como uma das mais famosas do nosso país.

O produtor Vinilourenço conseguiu colocar dois dos seus vinhos nos restantes lugares do pódio. O Vinho D. Graça Viosinho 2015, proveniente de uma vinha plantada a cerca de 600 metros da altitude, ficou em segundo lugar. O vinho apresenta aromas com notas de fruta muito delicada, frescura, um toque fumado e muita elegância. Na boca, impressiona pela excelente acidez e textura amanteigada, que lhe conferem grande aptidão gastronómica.

No último lugar do pódio ficou o D. Graça Garrafeira 2011. Um vinho com vários anos de envelhecimento mas ainda cheio de frescura, acidez, manteiga, boa estrutura e uma acidez cortante. A casta Viosinho a mostrar que é capaz de envelhecer muito bem.

Paulo Pimenta (Wine & Stuff)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vinhos de Altitude - O Conceito

Nos últimos anos temos vindo a assistir ao lançamento de alguns vinhos no mercado nacional que assumem, com maior ou menor intensidade uma diferença marcante: a altitude a que as cepas se encontram. Aparentemente, a ideia pode parecer algo confusa e de difícil demonstração, uma vez que as cinco maiores elevações do nosso país: Pico (2350 m), Estrela (2000 m), Ruivo (1862 m.), Torres (1851 m.) e Areeiro (1818 m.) estão distribuídas pelo território continental e insular e as respetivas denominações de origem, quando existem, produzem vinhos muito diferentes entre si.

No entanto, o conceito de vinho de altitude não é rígido e anda longe de estar definitivamente definido. A discussão sobre a definição do conceito não é recente mas o tema tem vindo a ser alvo de muita atenção, tanto nacional como internacional, para dar resposta a uma pergunta aparentemente simples.


O que é um vinho de altitude?

Uma das dificuldades é apontar uma cota a partir da qual estamos em presença de um vinho de altitude, bastará uma colina ou apenas poderão ser consideradas aqueles cujas cepas se encontram a mais de 2000 ou 3000 metros de altitude, tal como as que existem em Colomé na zona de Salta, Argentina ou no Monte Etna na Sicília. 

Ao longo dos anos, os enólogos que produziam vinhos em regiões mais altas aperceberam-se que tinham sido confrontados com condições muito particulares de luz (maior intensidade e radiação ultravioleta), temperatura (grandes amplitudes térmicas), ar (menor percentagem de oxigénio e de dióxido de carbono) e de maturação (níveis mais elevados de taninos e antocianos). Essas diferenças, conjugadas com as caraterísticas geológicas, originariam vinhos mais frescos e com uma acidez mais elevada.

A temática revestiu-se de tanto interesse que no início do milénio foi organizado, na Califórnia, o primeiro simpósio internacional dedicado ao tema da viticultura em altitude. Neste evento, o climatologista, Greg Jones, explicou a diferença entre relevo relativo (as diferença de altitude num ponto baixo e num ponto alto de uma colina) e relevo absoluto (diferença de altitude desde o nível das aguas do mar). Para Jones, o relevo relativo têm influência real sobre o clima e condições meteorológicas, assim para as vinhas também terá. No entanto, os encepamentos que se encontram a uma maior altitude, quando comparadas com outras ao nível do mar, apresentam diferenças significativas no clima e nas condições meteorológicas. 

No nosso país a temática também tem sido discutida. Em 2014 ocorreu um “workshop” sobre vinhos de altitude em Vila Nova de Tazem. Os oradores foram unanimes em assumir que esse fator também tem grande influência nas vinhas nacionais. No entanto, a noção apresentada revestiu-se de alguma hibridez, mesclando os conceitos de relevo relativo e absoluto, ou seja, estamos perante um vinho de altitude quando esse fator for capaz de introduzir diferenciação e tiver influência real no produto final.

Depois de clarificarmos o conceito sobre vinhos de altitude, chegou a altura de escolher os vinhos e o local para a prova cega. Mas isso ficará para outro post...

Paulo Pimenta (Wine & Stuff)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Em Prova: Quinta do Ortigão 4 Dezasseis Tinto 2011

13 de Fevereiro de 2016, um dia cinzento, de chuva persistente. No calor da sala de jantar da Quinta do Ortigão, o 4 DEZASSEIS respira ao som dum violão brasileiro. O Pedro Alegre hesita, bebe dois tragos do vinho e, com uma voz grave e emocionada, conta a história do infortúnio do Manel, um irmão de sangue e coração que desapareceu precocemente.

No copo, o 4 Dezasseis adquiria alma e sentido e, naquele momento, este vinho selou uma dimensão marcante que o tornou inesquecível.

Criado a partir de Touriga Nacional, Baga, Tinta Roriz e Cabernet Sauvignon, com desengace total, maceração pelicular prolongada, fermentação alcoólica a 28 graus e 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. De aromas complexos, evidenciado a fruta vermelha, nuances florais e especiarias. Extremamente macio, grande volume de boca e untuosidade.

Foi o meu tinto do ano. Mais um vinho criado por Osvaldo Amado. PVP: 25€.

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Em Prova: Quinta dos Abibes Sublime Brut nature 2010

26 de Agosto de 2016. Fui jantar ao Rei dos Leitões onde, na nova sala privada, encontrei dois amigos que me costumam cumprimentar com um forte abraço fraterno - Osvaldo Amado e o Prof. Francisco Batel Marques.

Em prova estavam diversos vinhos do Osvaldo, o "globetrotter" dos enólogos portugueses. En primeur, debutava este Brut Nature. Coloquei-o no copo, levei-o ao nariz e tive uma sensação absolutamente... SUBLIME! Não há como negar, estava perante um espumante absolutamente soberbo e irrepreensível. 

Se dissermos que a Bairrada produz espumantes de qualidade muito superior a champagnes consagrados, este SUBLIME BRUT NATURE tem que figurar na linha da frente.

Foi criado a partir somente da casta Arinto, de uvas colhidas em 2010, com desengace total, prensagem pneumática muito suave e delicada. A fermentação alcoólica realizou-se a 16 graus e 50% do vinho base fermentou em barricas de carvalho francês de segundo uso. Cristalino com bolha finíssima, revela um aroma intenso e complexo, fruto da noblesse do estágio sur lies. Na boca renega a simplicidade e insiste em activar-nos todos os neurónios. Frescura distinta, volume de boca notório, mousse elegante e um final que resiste. Na cave, estagiou 48 meses.

É o meu espumante do ano. PVP: 25€

Miguel Ferreira (A Lei do Vinho)